sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Intervalo de verão

Blog em férias parciais. Talvez eu escreva algo, talvez não.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

TV a cabo e amplas janelas

Trecho revisado do conto Lésbicas procuram apartamento. Com algumas adaptações, será talvez o primeiro capítulo do livro.

- - -

"Eu acreditava no diálogo, estava sendo tão ponderada. Deus, mulher rochosa.

- Rafa, honestamente: ela vai descobrir de qualquer maneira. Eu poderia dormir na sua casa, tranquilamente, sem esconder nada. Não seríamos forçadas a transar em horário comercial.
- Você é forçada a transar comigo?
- Não desvia do assunto.
- Foi o que você disse.
- Merda, por que você não me escuta?

Quando levantei um pouco a voz, ela disparou sobre mim a verborragia selvagem.

- Não posso te deixar uma noite sozinha que você enche a cara e trepa com qualquer idiota. Agora vai dar uma de certinha e chegar de mão dada e se apresentar pra minha mãe? Quer ficar noiva e comprar enxoval? Você é patética, eu não suporto você!
- Eu não trepei com ninguém! Do que você está falando?
- Desse babaca que ficou te cantando e te levou bêbada pra uma festa!
- Eu fui na festa mas não transei, porra.
- Duvido!

Ela me empurrou pra fora da cama com raiva, agarrei seu braço mas ela não desistiu, gritava e me chutava com os joelhos, prendi seus braços, ela se revolvia mas não conseguia se soltar. Tentou me morder. Mordi também seu pescoço, o mais forte que pude pra ela se acalmar. Ela começou a chorar.

Sem soltar, sequei suas lágrimas com os lábios e a beijei. Eu chorava também. Eu a amava muito. E também amava aquele apartamento espaçoso, com belos móveis, boa comida, TV a cabo e amplas janelas com vista panorâmica."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tribadismo

Algumas mulheres não gostam do termo "tribadismo". Eu gostaria de saber por quê.

Duas ilustrações da Wikipedia:



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Curioso como catálogos

Capítulo 8 – De volta ao ateliê da sogra, Lia recebe um comprador. Em algumas palavras, ela percebe que a chefe simplesmente se confundiu e perdeu o horário. Lia recebe o homem com atenção e eficiência. Ele pergunta quanto ela ganha. Educadamente, entrega seu cartão e diz que procure seu escritório, se quiser um salário melhor.

Quando conta da possibilidade a Teca, esta fica desconfiada. Acha que o homem estava dando em cima dela, que ela vai ganhar mais, transar com o patrão e abandoná-la. Teca duvida que Lia seja lésbica de verdade.

Capítulo 9 – Lia percebe que sua menstruação está atrasada. Faz um teste e descobre que está grávida. Com medo de contar a Teca, passa alguns dias distante. Quando finalmente diz, Teca fica mais surpresa que brava. Pensava em ter um filho no futuro, mas pelo método normal... inseminação ou adoção.

Mas, já que aconteceu, não irá julgar. Faz apenas um pedido: que Lia se matricule no curso de judaísmo da congregação israelita, para que as duas ensinem a mesma religião à criança.

Epílogo – Lia faz o curso de judaísmo. Tudo lhe parece curioso, pois nunca teve formação religiosa. Nas aulas há mulheres de várias origens sociais, com casamento marcado, preocupadas com os detalhes da festa. Há também uma família evangélica, que decidiu se converter à religião original de Jesus.

Na apostila, Lia lê algumas explicações sobre deus e a fé, e acha curioso o resumo objetivo de questões abstratas, curioso como os catálogos que descrevem doenças psiquiátricas, que ela consultou para ajudar seu primo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Comércio popular vibrante

Mais um trecho do resumo. Na próxima semana volto a escrever os capítulos.

"Capítulo 7 – Lia, ainda de ressaca, vai passar o domingo com sua família em Osasco. O primo está mais calmo, a tia mais otimista, o pai conseguiu um trabalho temporário. Todos estão orgulhosos da nova vida de Lia, o pai recusa o dinheiro que esta lhe oferece. Lia acha o lugar mais bonito do que lembrava. As ruas de Osasco lhe parecem limpas, o comércio popular vibrante e autêntico. Lia se surpreende ao perceber que a família sobreviveu sem sua ajuda.

O pai lhe oferece um suco de Limas da Pérsia. É mais caro que laranja - ele diz – mas é refrescante, fácil de espremer e não engorda.

- - -

OBS: Esse é o primeiro retorno de Lia a Osasco, de onde ela sai no primeiro capítulo.

- - -

Capítulo 1 (flashback) – Lia ajuda o primo Rodrigo em uma crise maníaca. No dia seguinte, a caminho do trabalho, tem um acesso de pânico e procura Teca (Esther), antiga amiga de faculdade. De trem e ônibus vai de Osasco, onde vive, para Higienópolis, onde mora a amiga. Teca a recebe e se dispõe a ajudá-la."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lovely René

Semana apressada pra escrever.
Roxy Music recomendada por Alberto Sabino Brazil.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Eu me lembro de janeiro

Mas por favor, senhor sol... me dê de volta Virgínia.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Colonialismo, Caetano e a guerrilha

Continuando o resumo dos capítulos. Fiz assim, organizadamente, porque quero um livro com narrativa rápida, baseada em ação, como um seriado de tv (bom seriado, naturalmente).

- - -

Capítulo 5 – Meio deprimida, Lia faz uma viagem com Suzana, a nova chefe/sogra. Incomoda-se ao perceber que esta não puxa a descarga no banheiro do hotel (distraída, ou esperando que alguém faça isso por ela?). De volta a São Paulo, Lia vê Teca conversando com outra amiga moderna. Sente-se ameaçada, pensa que vai perder a namorada, a casa e o emprego.

Tentando reagir, volta à universidade, procurando informações sobre pós-graduação em economia e administração. Enquanto descansa por alguns minutos no gramado do campus, um homem se aproxima. É Maranhão, um ex-aluno de sociologia que enlouqueceu (segundo dizem) e fica vagando perto do bandejão. Maranhão começa seu discurso verborrágico sobre colonialismo, anos 60, Caetano Veloso e a guerrilha no Araguaia. Lia quer escapar, mas o homem faz suas perguntas desconexas e ela responde impulsivamente.

Depois de um tempo, percebe que consegue conversar com o louco, sem calcular antecipadamente suas frases.

Capítulo 6 – Lia volta para a casa de Teca, mais tranquila. Mostra-se disposta a transar de várias maneiras, usar apetrechos que antes recusava. Outras amigas e amigos vêm visitá-las, com maconha e drogas gerais. A noite corre solta, Teca fica com sono e dorme.

Lia fica chapada e transa com duas meninas e dois caras na sala do apartamento. Teca acorda no dia seguinte e desconfia de algo. Primeiro fica quieta, depois pressiona Lia e as duas discutem violentamente. A discussão se transforma em luta física e agressão sexual.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A qualidade do azeite

Meu livro infelizmente está parado, enquanto tento me desvencilhar de assuntos gerais.

Segue um resumo esboçado dos capítulos. Vou mudar os nomes, mas ainda não tive idéias melhores. Lia mora em Osasco, recém-formada em Ciências Sociais, lésbica militante da periferia.

Teca tem a mesa idade, lésbica riquinha de baladas no "centro expandido" da capital.

- - -

"Capítulo 2 – Lia se instala no apartamento de Teca e começa a procurar outro emprego. A amiga é generosa e entusiasmada. Vão a uma festa onde Lia reencontra as amigas lésbicas com que convivia durante a faculdade. Todas têm empregos interessantes em agências de publicidade, escritórios de design e ateliês de moda. Lia bebe e beija uma delas longamente, durante o fim da festa.

No dia seguinte, Teca age friamente, e pede para Lia sair de seu apartamento. Ela não entende, mas logo percebe que a amiga sente ciúme.

Capítulo 3 – Lia explica-se a Teca. Nunca desconfiou de seus sentimentos – considerava-a rica e bonita demais para se interessar por ela. Alguma tensão e choro, depois as pazes e um clima de sedução. As duas transam e Lia não sai do apartamento.

Capítulo 4 – Teca consegue um emprego para Lia, de assistente pessoal de sua mãe, antropóloga recentemente aposentada, que inicia carreira como pintora de temas étnicos. Lia vai a um almoço com Teca, sua mãe e amigas intelectuais – parte da elite universitária de São Paulo. Ela sente-se acuada; entre as amigas estão suas ex-professoras mais famosas e respeitadas.

Voltando para o apartamento, Lia tem uma crise e diz que não pertence a esse lugar, não quer ver suas professoras discutindo a qualidade do azeite. Teca se diverte e quer transar, mas Lia não consegue, está fechada em seus dramas sociais. Teca se cansa e vai para uma festa. Lia segue emburrada. Na festa, percebe que outra garota está flertando com Teca. Lia fica frágil, age como mulherzinha, se entrega a Teca sem vontade, para não perdê-la."

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dear Cupid

Do site Dear Cupid:

"I wonder if you can help. I now know that my relationship is now definately over and I'm looking for some closure. I still have some photo's and bits and pieces belonging to my ex. I was thinking of mailing them to her with the engagement ring, and a card she sent me stating that we were soulmates (she ended the relationship) just to bring it home what she has lost.

Does anyone agree with me or should I just leave it as it is?"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Menos tu vientre

Menos tu vientre
todo es confuso

Menos tu vientre
todo es futuro
fugaz, pasado,
baldío y turbio

Menos tu vientre
todo es oculto,

menos tu vientre
todo inseguro,
todo postrero,
polvo sin mundo

Menos tu vientre
todo es oscuro,
menos tu vientre
claro y profundo



(obs: o arranjo vira um horror, na metade da canção)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O feminismo marcha, minha filha

Contribuição de minha amiga Fernanda:

- - -

João de Minas (1896-1984), pseudônimo de Ariosto Palombo, escreveu "A
mulher carioca aos 22 anos" em 1934.

Um trecho:

"– Agora é que você vai ver que bom - estertorou a literata, babando de gozo.

Foi a uma gaveta, e ficou de costas, afivelando uma espécie de cinta. De repente, voltou-se, cheia de um orgulho sádico. Angélica levou um susto. Claudia tinha se transformado num homem, e bem servido.

Aproximou-se, e ficou diante da cama, mostrando o membro triunfante e duro. Foi informando:

– Isto, meu bem, é a última palavra... É um aparelho de borracha, devido ao gênio dos argentinos, e se ajusta tão bem que qualquer mulher pode ser realmente um homem... No escuro, nem se percebe a diferença.

– É o Sexo Masculino Mecânico! No interior dele há uma espécie de dedinho, também de borracha, e que mexe deliciosamente com a gente, logo que se começa o vaivém... Você compreende... Até o calor humano há aqui, por meio de uma camada de água tépida, por dentro desta beleza...

E a tarada empunhou a banana sexual. E a sacudia, pensativa. Continuou, científica:

– O feminismo marcha, minha filha. Por este processo as mulheres podem saborear a vida, sem precisar dos homens, do casamento, e de outras tolices. Com uma vantagem: esta gracinha faz-se sob medida, e as mulheres de... de... boca grande podem ter as carícias volumosas de que precisam... É uma revolução, uma beleza!

Houve um silêncio. Angélica encolheu-se, cobriu a sua nudez. Claudia sacudia o membro.

– Pega nele – convidou.

Angélica, devagarinho, sentindo uma água ancestral na boca, um apetite hereditário de devassidão, pegou religiosamente no falo. O bruto parecia do legítimo, e latejava, estava quente e convidativo.

– Abre as pernas, meu anjo... – ciciou Claudia, deitando-se."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma beleza sem estirpe

"Essa tagarelice a propósito de coisas vãs são restos da crise mundana por que passou na adolescência. Quando rapaz, picado por veleidades de elegante, pretendeu frequentar as altas-rodas. Queria conhecer no seu próprio habitat aquelas esquivas criaturas que mal se deixavam ver entre a saída de uma igreja ou um teatro, e a rápida partida, nos automóveis de luxo que as esperavam.

Por uma anomalia do sentimento amoroso, importava-lhe no objeto amado, mais que as qualidade específicas deste, aquilo a que o moço Abdias chamava pedigree. Uma beleza sem estirpe nem posição social não lhe causava impressão."

(Abdias, de Cyro dos Anjos, p. 28)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Gay Talese em Big Think

Abaixo a transcrição do lindo vídeo que pode ser visto no site Big Think:

Question: Has the state of the American libido changed since you published “Thy Neighbor’s Wife?”

Gay Talese: That book dealt with a lot of things – censorship; what was immoral by the standards of that time meaning the 1970s and ‘80s. What is going on today in 2009 – anything goes; you just to have to know to look in a different place for it. When I was researching in the 1970s to do that book that was published in 1980, the aforementioned “Thy Neighbor’s Wife”, things were very visual on the streets. You could see massage parlors. If you walked up Lexington Avenue, Park Avenue even, all over the cities major cities of the United States – for example you would find massage parlor signs right open, and they’re newspapers such as the pornographic newspapers that advertise. Massage parlors were really little more than places of prostitution. I mean you would pay women to perform sexual acts upon yourself. It might be masturbation; it might oral sex; it might be intercourse, but what happened after that AIDS period now the Internet offers everything. If you know how to use the Internet, there’s nothing you can’t get – swingers, mate swapping as I said; the most hardcore pornography’s available.

You see when I started to research that book some quarter century or more ago there was a kind of a moral squad of people who wanted to restrict the right of adults to have access to sexual dalliance. Right now you can’t control it because what’s happened through the technology of the Internet is it brought the merchandising of sex into the home, and people can just sit there on their lap top and order whatever they want. I mean it’s like it’s just as easy as takeout. I mean it’s like going to Kentucky Fried Chicken or having pizza sent in. You can get everything.

Question: Does the mass availability of sex make the act less important in marriage?

Gay Talese: No. You could always go and get sex anyway; that’s nothing new. There’s very little new about sex. It’s just different ways of merchandising it and different ways of obtaining it. If we’re talking about mercenary sexuality, that’s what you are talking about. Now let’s talk about marital sexuality. I said before and I repeat now marriages are not gonna be held together because of sexual performance. You see all these Viagra – God you can barely watch a football game without having 16 Viagra commercial interrupt between every exchange of football. That’s nice I mean it’s great that there is such a thing for impotent men as Viagra and all those other competing products, but again, marriages are not gonna be held together because of sexual performance, it’s not. I mean the beginning as I said the courtship period – okay, that’s a phase, but the sexiest woman alive is not gonna be a marital mate of any consequence if her mate doesn’t respect her or the other way around.

Recorded on September 22, 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Feministas não têm senso de humor

Essas feministas só precisam de um bom homem... lá-lá-lá.
Linda Nellie McKay.

domingo, 27 de setembro de 2009

Lésbicas não se beijam pra provocar homens

Pra quem anda meio cansado desse lesbianismo-friends... trecho de uma matéria do site Terra:

- - -

"Mídia

Sem dúvida, mulher com mulher dá audiência. As moças são bonitas, vaidosas, ricas e famosas. E aparecem na mídia declarando (ou mostrando) que gostam tanto de meninos como meninas. Tudo começou com o beijo de Madonna deu em Britney Spears no Video Music Awards, em 2003. Não foi um selinho e, sim, um beijo cinematográfico. Entre as brasileiras, até a deusa do axé Daniela Mercury não resistiu e lascou um beijinho em Alline Rosa em uma gravação de DVD. No último Big Brother, o beijo de Priscila e Milena debaixo d'água 'bombou' na internet.

Parece que a sociedade aceita mais duas mulheres se beijando, afinal é comum as meninas, desde crianças, viverem abraçadas, de mãos dadas, dormirem juntas. Já os homens são menos aceitos nesse esquema. "A homossexualidade masculina é vista como uma traição à cultura patriarcal. Por isso é mais fácil para a mulher assumir, aparecer em público e fazer propaganda", disse Regina Navarro.

Adolescência
Os mais tradicionais podem imaginar que tantas cenas e declarações de ídolos mexem com a cabeça das adolescentes. Para a sexóloga Carla Cecarello, as adolescentes de hoje estão num mundo cheio de informações, o que facilita o aprendizado e também o desejo de experimentar, algo inerente à formação. Contraditoriamente, muitas até dão selinhos nas amigas para chamar a atenção dos meninos.

Mas é bom que fique claro: a orientação sexual, segundo ela, é definida na infância, mas assumida na adolescência. "As experiências vão consolidar a orientação sexual já definida, e o adolescente vai tomar consciência disso." Portanto, ter uma experiência com pessoa do mesmo sexo na adolescência não significa ser bissexual. "Experiências esporádicas não definem uma pessoa como bissexual", afirmou Carla."

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Heidi Oberli (born 1955)

"People were still associating lesbians and gays with prostitution in the late 70s and the early 80s. Those on the political left considered us decadent and feminists feared us – so we went to nightclubs with gays. In the the mid-80s, the lesbian and gay movements split. Instead we liaised more with heterosexual feminists."

- - -
Heidi is the third of four children. Her father was the head of Brienz railway station and her mother a closeted painter and housewife. Heidi trained at air traffic control at Zürich airport, and worked as a chimney sweep, stewardess, and in a number of other jobs in the travel business. She comes ‘out’ early and breaks into the national scene as a strongly militant lesbian. She makes a number of high-profile public appearances, such as on the Telearena show on Swiss national television in 1978. She soon becomes an activist as a member of HAB (the Bern homosexual working group) and as a co-founder of LIB (Lesbian Initiative Bern). She works on the first Swiss film cycle on homosexuality (screened at the Eiger Cinema in Bern in 1976). Today Heidi lives in Biel and has her own practice as a marriage counsellor and therapist. She takes a profound interest in astology and alternative medicine.

(do pressbook de Katzenball)

Johanna Berends (born 1912 )

"I disagree entirely with people who argue that women have been discriminated against twofold, as women and as a lesbian women. Lesbians were not discriminated because they were not taken seriously in the first place. As Queen Victoria said: “That doesn’t exist.”

- - -

Johanna was born in Dedemsvaart, a small village in Holland, where she grew up as an industrialist’s daughter. After grammar school, she trained as a nurse as social class norms at the time dictated that only male children could attend university. She was treated for tuberculosis in Leysin (Switzerland) in 1937 where she married in 1940. Following a divorce six years later, she remarried, this time a Greek anarchist. The couple emigrated to Canada where she fell desperately in love with an older woman, marking the beginning of her life as a ‘lesbienne authentique’. Shortly afterwards, Johanna returned to Switzerland with her little daughter and Irène, her lover, to live and work. Irène’s death in 1974 was incisive and Johanna followed a strong urge to return to Holland. She has moved back to the Lake of Geneva since and still writes combattive reader’s letters to the press.

(do pressbook de Katzenball, de Veronika Minder)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ursula Rodel



Today I would like to introduce you to a personal style icon. I met her in 2002 at a fashion show where she happened to sit next to me. Her name is Ursula Rodel. She’s a fashion and costume designer – or simply créatrice/artiste. Career highlights include costume design for Federico Fellini’s ‘La Citta delle donne’ and ‘La nave va’. And she did the makeup for Catherine Deneuve in ‘Dancer in the Dark’.

Shortly after our initial meeting I had the privilege to photograph Frau Rodel in her Zurich studio. At the time I was switching from video to (analog) photography. I think this is actually the first portrait I shot with a flash.

Kindly overlooking my insecurities she introduced me to her polaroid collection, 3 hefty A1 size portfolio books. A life changing, deeply shattering experience. Picture this: Ursula and her mates partying hard from Punk through to New Wave at Studio 54, Privilege in Paris and posh Swiss ski resorts… By friends we talk Andy Warhol, Bianca Jagger, young Debbie Harry, Grace Jones, Edwige, la Deneuve… Of course, everyone was at least 10 years ahead of fashion.

As one of the original shapeshifters, Frau Rodel felt understandably very disgruntled about the prospect of being copied the second time round by Eighties fashion.

I hold great admiration for her generation of artists and creatives. People who shaped a unique period in time with their radical pursuit of creativity and lust for life. And who only too often ended up paying a high price.

That’s why I feel we owe these people big time. Instead of ripping their ideas off in yet another retro fashion or music trend we should continue and fill with our own vision and experience that Punk/New Wave spirit.

This is one of the reasons I do this blog. It’s a continuation of Ursula Rodel’s polaroid collection. Admittedly not as glamorous (yet), it’s nevertheless about people who follow their own style and have fun. Someone looking at today’s streetstyle blogs in 30 year’s time should say: wow, those Noughties kidz had style.

(Do blog Playlust.net)

sábado, 19 de setembro de 2009

Pombinha, 1

"Depois da refeição, Dona Isabel, que não estava habituada a tomar vinho,
sentiu vontade de descansar o corpo; Léonie franqueou-lhe um bom quarto, com boa cama, e, mal percebeu que a velha dormia, fechou a porta pelo lado de fora, para melhor ficar em liberdade com a pequena. Bem! Agora estavam perfeitamente a sós!

— Vem cá, minha flor!... disse-lhe, puxando-a contra si e deixando-se cair sobre um divã. Sabes? Eu te quero cada vez mais!... Estou louca por ti!

E devorava-a de beijos violentos, repetidos, quentes, que sufocavam a menina, enchendo-a de espanto e de um instintivo temor, cuja origem a pobrezinha, na sua simplicidade, não podia saber qual era.

A cocote percebeu o seu enleio e ergueu-se, sem largar-lhe a mão.

— Descansemos nós também um pouco... propôs, arrastando-a para a alcova.

Pombinha assentou-se, constrangida, no rebordo da cama e, toda perplexa, com vontade de afastar-se, mas sem animo de protestar, por acanhamento, tentou reatar o fio da conversa, que elas sustentavam um pouco antes, à mesa, em presença de Dona Isabel. Léonie fingia prestar-lhe atenção e nada mais fazia do que afagar-lhe a cintura, as coxas e o colo. Depois, como que distraidamente, começou a desabotoar-lhe o corpinho do vestido.

— Não! Para quê!... Não quero despir-me...
— Mas faz tanto calor... Põe-te a gosto...
— Estou bem assim. Não quero!
— Que tolice a tua...! Não vês que sou mulher, tolinha?... De que tens medo?... Olha! Vou dar exemplo!

E, num relance, desfez-se da roupa, e prosseguiu na campanha. A menina, vendo-se descomposta, cruzou os braços sobre o seio, vermelha de pudor.

— Deixa! segredou-lhe a outra, com os olhos envesgados, a pupila trêmula.

E, apesar dos protestos, das súplicas e até das lágrimas da infeliz, arrancou-lhe a última vestimenta, e precipitou-se contra ela, a beijar-lhe todo o corpo, a empolgar-lhe com os lábios o róseo bico do peito.

— Oh! Oh! Deixa disso! Deixa disso! reclamava Pombinha estorcendo-se em cócegas, e deixando ver preciosidades de nudez fresca e virginal, que enlouqueciam a prostituta.

— Que mal faz?... Estamos brincando...
— Não! Não! balbuciou a vitima, repelindo-a.
— Sim! Sim! insistiu Léonie, fechando-a entre os braços, como entre duas colunas; e pondo em contacto com o dela todo o seu corpo nu.

Pombinha arfava, relutando; mas o atrito daquelas duas grossas pomas irrequietas sobre seu mesquinho peito de donzela impúbere e o rogar vertiginoso daqueles cabelos ásperos e crespos nas estações mais sensitivas da sua feminilidade, acabaram por foguear-lhe a pólvora do sangue, desertando-lhe a razão ao rebate dos sentidos."

(O cortiço, de Aluísio Azevedo, capítulo XI)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Je tu il elle, ultimas cenas

Gravação amadora das últimas cenas do filme de Chantal Akerman.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Je tu il elle

Agradeço a recomendação de Ismail Xavier.

No final de Je tu il elle, de Chatal Akerman, há talvez a melhor cena de sexo entre mulheres que já vi no cinema.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Prazeres pouco divulgados, 3

Tentar fazer já é quase fazer.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Prazeres pouco divulgados, 2

Uma verdade sobre sexo: às vezes simplesmente não interessa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Imagem

bêbada, só muito rápido vi
o desenho de seus pelos
a pele talvez escura, pálida
o corpo antigo, sem exercício

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Prazeres pouco divulgados

1. Ver um rosto muito perto

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Lições de sexo oral

Estive organizando idéias para um livro novo, e pensei em começar com reflexões da personagem sobre sexo oral. Não propriamente técnicas, mas seus pensamentos quando era adolescente e percebeu que logo teria de fazer isso. Ela lê algumas dicas em revistas e se prepara para a tarefa.

Busquei algo na internet, para parodiar. Esta é uma lição, do site Terra:

"Com as mãos, faça movimentos de vaivém na base do pênis. "Isso ajuda a ter noção do tamanho do para saber quanto colocar na boca", ensina a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello.

Ainda segurando a base do pênis, alterne beijinhos leves e beijos molhados de baixo para cima. Enrijeça os lábios no formato do pênis e com movimentos ritmados chupe-o por alguns instantes.

Suba e desça a língua por todo o pênis, mas se concentre na glande, porque é a parte mais sensível e, conseqüentemente, a que dá mais tesão. Chupe a cabeça do pênis como se fosse um delicado pirulito; alterne lábios, língua e beijos sempre.

Não se esqueça de estimular os testículos ao mesmo tempo. "Encha a mão com os testículos, mas tome cuidado para não apertar com força, porque é uma região sensível", diz Carla.

Embora pequenas mordidas excitem e apimentem a transa, é fundamental ficar alerta para não perder a medida e acabar machucando o pênis do parceiro.

Uma dica de ouro para o oral bem sucedido é fazê-lo com vontade. "A mulher deve ficar na posição em que ele veja o rosto dela para sentir prazer", diz a personal sex trainer Fátima Moura."

- - -

Há várias outras dicas em blogs.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Time out

Blog em ferias ate agosto.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Animais diferentes têm motivos diferentes para a comportamento homossexual




Para fazer as pazes
Nada melhor do que o sexo para criar um ambiente de intereção que facilite reconciliações
É visto no macaco japonês

Por engano

Algumas espécies não possuem maneiras boas de saber quem é macho e quem é fêmea
É visto no peixe mexirica

Para formar alianças

Relações entre indivíduos do mesmo sexo permitem a formação de fortes laços, prevenindo conflitos
É visto nos golfinhos-nariz-de-garrafa

Para praticar
Indívíduos com pouca experiência sexual aprendem a cortejar com animais do mesmo sexo
É visto na mosca-das-frutas

Para reforçar a hierarquia

Para mostrar quem manda em que quem, os bichos estabelecem relações de poder através do sexo homossexual
É visto nos bisões.

Para criar os filhos
Fêmeas podem se unir depois de a prole nascer, tendo mais sucesso do que as não-lésbicas
É visto nas albatrozes-de-laysan

(Ricardo Mioto, FSP 17/6/2009)

Homossexualismo ajuda a moldar evolução

Pesquisadores dos EUA dizem que há milhares de exemplos desse comportamento

Um dos casos é o de fêmeas de espécie de albatroz do Havaí, que formam casais lésbicos que lhes conferem vantagem para criar filhotes


O estudo, publicado hoje no periódico "Trends in Ecology and Evolution", é uma revisão das pesquisas já feitas sobre relações homossexuais animais.
Essa área ganhou grande atenção do público após 1999, quando o zoólogo Bruce Baghemil publicou o livro "Biological Exuberance", documentando homossexualismo em mais de 400 espécies. Há milhares de exemplos na literatura.

Que machos gostem de fazer sexo com machos e fêmeas com fêmeas é um enigma evolutivo. Afinal, um gene gay (ou vários genes) seria eliminado, pois à primeira vista ele não ajuda a espécie a se perpetuar.

"A grande questão é como explicar qual é o sentido evolutivo", diz César Ades, etólogo (especialista em comportamento animal) da USP (Universidade de São Paulo).

Qual é, então, a vantagem da homossexualidade para os animais? Os autores do novo estudo, Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, dão um exemplo. Veja as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí.

Essas aves se unem em casais lésbicos que às vezes duram a vida inteira para criar os filhotes, especialmente quando há escassez de machos. Até um terço dos casais da espécie são formados por fêmeas. O resultado é que elas têm mais sucesso do que fêmeas "solteiras" na criação dos filhotes. O comportamento homossexual, portanto, muda a dinâmica da população -e pode ter consequências evolutivas importantes.

A conclusão do estudo é que não existe apenas uma vantagem universal. Ao contrário, a homossexualidade ajudou as espécies de diferentes formas ao longo da evolução. O nome designa, então, vários fenômenos diferentes, com motivações distintas.

Humanos

Por isso, é complicado transpor essas conclusões para humanos. "Existe homossexualidade numa variedade grande de animais: moscas, lagartos, golfinhos. Qual animal tomar como medida para comparar conosco?", diz Ades.

Entre os animais, os mais próximos de nós são os bonobos. As fêmeas dessa espécie de chimpanzé são vistas frequentemente se relacionando sexualmente - e não raro atingem o orgasmo dessa maneira. Alguns machos se beijam e praticam sexo oral uns nos outros.


(Ricardo Mioto, FSP 17/6/2009)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Entre mulheres

Pesquisando na internet, mesmo em sites para lésbicas, só encontrei vídeos pornográficos feito para homens, aparentemente.

O sexo heterossexual na maioria desses vídeos segue a mesma rotina: tirar a roupa da mulher, lamber seus seios, lamber sua vagina, fazê-la chupar o pênis do homem, penetração vaginal, penetração anal, ejacular no rosto da mulher.

Nem sempre a rotina é completa. Algumas atrizes não fazem anal, ou não gostam de ejaculação facial (termo técnico usado nas capas dos vídeos).

Nos vídeos entre mulheres, normalmente a rotina é: tirar a roupa, beijo na boca, manipulação frenética com o dedo, lamber a vagina uma da outra, penetração com consolo.

Disso se presume que os vídeos são feitos para homens. Nem todas as lésbicas gostam de consolo, e a manipulação com os dedos parece desagradável. Quem informou os produtores de pornografia que alguém gosta de ter seu clitoris chacoalhado como se estivessem polindo prataria?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Meu mundo caiu

Do divertido blog "Mãe, eu sou lésbica", cheio de listas classificatórias dos estágios e comportamentos humanos:

Viadagens sapatônicas - parte 1:

Todo mundo já passou pelos estágios :
Meu mundo caiu , eu sou sapatão
Meu mundo é cor de rosa, sou pop entre as sapas da cidade.
Meu mundo é uma m..., já fiquei com metade das sapas da cidade, redondezas, municípios, estados...
Meu mundo é maduro, escolho os viados e sapatas com quem ando
Meu mundo : minha namorada e eu
Meu mundo : virei musa gay, só tenho amigo bee
Meu mundo caiu, voltei a ser sozinha...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dian Hanson

Dian Hanson is an American pornographic magazine editor, historian, and occasional model, famous as the editor of Juggs and Leg Show - sexual fetish magazines.

A former girlfriend of cartoonist Robert Crumb, Hanson appeared in the 1994 documentary film Crumb.

(referência: Wikipedia)

- - -

No documentário Crumb, Hanson é um alívio, uma das poucas ex-namoradas engraçadas do homem. Quase todas as outras são feministas ofendidas por certos desenhos dele.

Em certo momento, ela diz que Crumb não se interessa por sexo normal. "Ele prefere ficar duas horas beijando o pé de uma mulher".

Isso me parece muito perspicaz da parte dele.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Aretusa Von de Menezes

Mexendo em meus livros à procura de um texto para as alunas, reencontrei um prefácio ao livro de minha amiga Vivi, lançado em 2005:

"O livro 10 Mandamentos para a Felicidade Sexual da Mulher me faz lembrar os meus 15 anos, lendo os folhetins do Planeta diário. A narrativa tem a agilidade e a leveza da literatura pornô bem humorada. As cenas vão se sucedendo sem a preocupação obsessiva da verossimilhança, mas sim com a liberdade narrativa de um sonho, de uma fantasia. Por exemplo a cena em que quatro amigas conversam no quarto, de repente duas delas vão para o banheiro e começam a transar, e as outras nem percebem. Na vida real, será que isso é possível? Pois na literatura erótica, é. Quando a personagem janta com uma amiga e seu marido, a amiga vai dormir – e, sem a menor preocupação com barulhos ou flagras, o marido e a personagem começam a transar. As fantasias eróticas têm essa liberdade: é necessário apenas uma pitada de realidade para nos convencer de que a cena é possível. Porque o excesso de realidade bloqueia qualquer fantasia. Mas aliás, de certa maneira, acreditar exageradamente na realidade é também uma fantasia. Uma fantasia que pode ser prejudicial para o nosso bem estar emocional.

Além de algumas dicas de sabedoria como essa, o livro está pleno de um erotismo alegre e feminino. Em vez de depressiva seqüência repetida em todos os contos eróticos de revistas masculinas – que sempre começam com a mulher gostosa chupando o cara, depois “dando pela frente”, depois “dando por trás” – os 10 Mandamentos têm sexo em várias posições, com parceiros de idades e sexo variável, diferentes preliminares e vários desfechos, oferecendo à mulher curiosa – não importa a idade – bastante inspiração para o seu dia-a-dia erótico."

- - -

Ok, hoje não escreveria desse modo, distinguindo erotismo masculino e feminino. Mas ainda me parece interessante a questão da verossimilhança.


(prefácio a 10 mandamentos para a felicidade sexual da mulher, de Aretusa Von de Menezes. Ed. Jaboticaba, 2005)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Auto-estima

Durante a terapia eu comentava sobre uma garota que havia conhecido na internet.

Marcamos um encontro para a próxima semana e eu tinha medo de ser rejeitada, por estar mais pesada do que gostaria.

A psicologa voltou ao seu tema habitual: por que eu era tão insegura, por que eu partia do princípio que as pessoas iam me rejeitar?

Eu respondi: não sou sempre insegura e não acho sempre que irão me rejeitar. Isso só acontece quando considero a pessoa em questão (o alvo da conquista) mais bonito/a que eu. Porque é mentira que charme e inteligência superam uma aversão física muito grande.

Odeio pessoas gordas que ficam falando de beleza interior, de não julgar pelas aparências. E me irrito quando psicólogos sugerem que tudo se resolve por auto-estima.

Acho bom, em teoria, me interessar por alguém que me pareça em algum aspecto melhor do que eu, sentir o instinto de lutar e conquistar.

Sexo não é propriamente o que as pessoas fazem quando encostam umas nas outras.

(Depoimento anônimo)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Alma Gêmea

Quando era solteira, durante alguns meses tentei conhecer algum rapaz pela internet, num site de encontros. Na época não existiam orkuts e facebooks. Havia apenas chats e a versão para internet dos "classificados pessoais" de jornal. O que frequenti chamava-se "Alma Gêmea".

Era 1998 ou 1999, talvez. Notei que era difícil encontrar um "rapaz decente". Muitos anúncios eram de homens casados que procuravam mulheres para casos rápidos. Como eu era jovem e um tanto ingênua, pensei "como tem gente sacana neste mundo!" De certa maneira eu relacionava esses anúncios à figura clássica do marido machão que pula a cerca, e faz questão de deixar a esposa pura trancada em casa.

Agora, pesquisando o assunto, descubro que as coisas não são bem assim. Nos sites há todo tipo de gente procurando sexo casual: casais procurando garotas para relações a três, mulheres casadas procurando outras mulheres para sexo casual (com o consentimento do marido), homens que preenchem sua preferência sexual como "lésbica" para que seus anúncios sejam lidos por mulheres que não querem ler anúncios de homens.

Sei que nos EUA a pornografia virou tema de talk-shows familiares, e o lesbianismo deixou de ser tabu, virando imagem fetiche para homens. O "lesbian chic", claro, não o lesbianismo real.

Será que essas pessoas de fato conseguem o que propõem nos anúncios, ou é apenas um desejo manifestado virtualmente que nunca se concretiza?

domingo, 3 de maio de 2009

Minha interligação

Coisas que as mulheres escrevem quando procuram sexo casual em sites de relacionamento:

- Estou procurando minha interligação.

- Meu corpo é lindo sou muito gostosa pratico esports e sou limpa, sou branca mas gosto de tudo.

- Como pode ver na foto, tenho um corpo atraente, malho e quero melhorar ainda mais.

- Olhar forte e tenho um coração muito espetacular.

- Em tempos remotos, chorei pensando que não era uma linda mulher. Foi quando percebi que o universo é tudo e muito mais. E que seu eu não valorizasse meu reino. Eu nada seria. Assim sou o que outro acredita que sou. E serei o que de melhor eu quero ser.

sábado, 25 de abril de 2009

Dor

No boxe há uma técnica de bater.

O soco é dado com a mão fechada, para que os ossos da mão atinjam o rosto em posição paralela, não em quina. O contato de osso com osso traz a dor rapidamente demais. Se houver carne e gordura no meio, a força pode ser maior, o impacto mais violento, e ainda assim doer menos.

No sexo também há uma técnica da dor.

A dor imediata, sem que o corpo esteja preparado, é apenas incômoda.

Em aplicação lenta e crescente, a dor é sentida com prazer.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Marina

Aquilo viera pouco a pouco, sem a gente sentir. Naturalmente gastei meses construindo esta Marina que vive dentro de mim, que é diferente da outra, mas se confunde com ela. Antes de eu conhecer a mocinha dos cabelos de fogo, ela me aparecia dividida numa grande quantidade de pedaços de mulher, e às vezes os pedaços não se combinavam bem, davam-me a impressão de que a vizinha estava desconjuntada. Agora mesmo temo deixar aqui uma sucessão de peças e de qualidades: nádegas, coxas, olhos, braços, inquietação, vivacidade, amor ao luxo, quentura, admiração a d. Mercedes.

Foi difícil reunir essas coisas e muitas outras, formar com elas a máquina que ia encontrar-me à noite, ao pé da mangueira. Preguiçosa, ingrata, leviana. Os defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo.

Além disso ela era meiga, muito limpa. Asseio, cuidado excessivo com as mãos. Passava uma hora no banheiro, e a roupa branca que vestia cheirava. Nos nossos momentos de intimidade eu sentia às vezes uma tentação maluca; baixava-me agarrava-lhe a orla da camisa, beijava-a, mordia-a. Isto me dava um prazer muito vivo.

(trecho do romance Angústia, de Graciliano Ramos)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A origem do mundo

Por trás dessa bela paisagem meio chinesa, pintada por André Masson, está o quadro mais escandaloso jamais pintado.

É A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, pintado em Paris em 1866.

A pintura foi encomendada a Courbet por um diplomata turco que colecionava imagens eróticas. Dizem que ele pediu um retrato fiel da intimidade de uma cortesã por quem era apaixonado. Foi pendurada no apartamento dele em Paris, escondida atrás de uma cortina.

Mesmo visto por poucos, tornou-se um dos quadros mais célebres do século XIX.

O quadro desaparece e é redescoberto depois da II Guerra em Budapeste. E quem o adquire? O psicanalista francês Jacques Lacan.

Lacan encomendou ao cunhado André Masson a pintura acima, em madeira, que instalou como porta de correr sobre o quadro de Courbet para escondê-lo. Quando tinha um convidado ilustre, Lacan o convidava a ver a pintura, deslizava a tampa e observava a reação. Nisso ele repetia o costume de Khalil Bey, o dono original do quadro, que abria a cortina para os amigos mais íntimos.

Os herdeiros de Lacan doaram A Origem do Mundo ao Museu d'Orsay, onde é hoje o quadro mais popular, só perde para a Gioconda do Louvre.

(Texto adaptado do blog New York on Time. A história romanesca deste quadro também é narrada num documentario de Jean-Paul Fargier, um trabalho muito interessante de experimentação com a linguagem do vídeo)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mon plaisir, ainda

Naquela noite ele quis mamar, então levantei minha camisola. Eu não preciso fazer nada, meu peito tá logo ali, ele chupa. Isso sempre me faz sentir tristeza e sede. Mas elas são invertidas; a sede tem a profundidade e o tom que a tristeza deveria ter: é sede como uma dor, um lamento, um soluço. E a tristeza é pateticamente limitada ao nível da sede, é só um gole de emoção, muito encolhido num franzir de rosto, saciável. É provável que essas sensações se resolvam de um jeito lógico quando há leite no peito. Pude sentir a ereção de Carl contra meu joelho, mas esperei e, depois de um tempo, ela acabou. Ele se separou do mamilo e ficamos ali deitados na semi-escuridão que me acostumei a considerar nossa.

(trecho do conto "Mon plaisir", de Miranda July)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Mon plaisir

Mas você ainda gosta do nosso jeito, não gosta?
A gente pode fazer agora?
Fizemos do nosso jeito. Carl mamou e eu fiz ele gozar com a mão. Então virei de bruços e me masturbei enquanto Carl dava palmadinhas na minha nuca. Gozei e a mão de Carl escorregou para o lado dele da cama.

(trecho do conto "Mon plaisir", de Miranda July)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lesbian sadomasochism

Por sugestão do Paulo, li um artigo interessante na New Yorker sobre um grupo de lésbicas separatistas na década de 70. Segue um trecho:

- - -

"During yet another fight among the Van Dykes over who was sleeping with whom, Heather recalls, Judith left in a huff and caught a ride to San Francisco. There she met the sex radicals Pat Califia and Gayle Rubin, who had started a lesbian sadomasochist group that they called Samois, for the house of torture in The story of O. "She hooked up with those women and when she came back she said, 'You're going to love this'," Van Dyke remembers. Judith was not mistaken: tofu quickly gave way to leather in the vans. The Van Dykes loved the drama of sadomasochism, the way it gave them license to play power games - which, really, they have been engaged in all along."

(The New Yorker, 02/03/09)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Aline Kominsky de calcinha

Trecho da entrevista de Aline Kominsky, mulher de Robert Crumb, na revista Heeb:

- - -

So being Jewish is different than being white?

I can’t help it, you know? My best male friends are Jewish, but as far as attraction—forget it. Terry Zwigoff and I were really good friends. One time I was wearing a pair of leather pants and asked, ‘Terry, how do I look in these pants?’ He said, ‘You look like a couch.’ That’s typical of how I felt growing up in high school when Jewish boys were real snotty. They were these short, skinny boys who wanted little blond girls. Those boys all grown up still make me feel like a Jewish monster. Whereas when I’m with a goy, I feel exotic and sexy and voluptuous. The most popular girl in my high school was Peggy Lipton, the actress who was on The Mod Squad and Twin Peaks. She was Jewish, but she was tall with straight blond hair, and a thin, pug nose. I adored her. She had a brother who was my age. He was dumpy and curly-haired like the rest of us, and I would help him with his homework so I could go over to his house and see Peggy.

The way you draw yourself and other women sometimes borders on the grotesque.
I used to keep notebooks of drawings of people on the street—these disastrous looks, strange body shapes and disgusting makeup. I started doing that in the ’50s and early ’60s when people wore bubble hairdos and white lipstick and go-go boots. Then when the ’60s came in, everything became natural, I stopped setting my hair on orange juice cans and putting Dippity-doo on my bangs and gluing them to my forehead with Scotch tape. I saw Joan Baez and Judy Collins and I realized there was a way for me to be myself. It was an incredible salvation for me. The natural Jewish thing became sort of okay and guys started finding me attractive, too.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Aeromoças japonesas

A série em quadrinhos "Teenage mutant ninja turtles", conhecida no Brasil como Tartarugas Ninja, era uma sátira das principais obsessões dos quadrinhos juvenis: animais falantes, ninjas e mutates.

O que dizer desse vídeo no You Tube: "lesbian kissing japanese stewardesses"?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

KY sensual massage

O óleo "KY sensual massage" tem duas funções, segundo a embalagem: lubrificante íntimo e óleo de massagem corporal.

É fabricado no Canadá e tem o efeito "hot", aquecendo com o toque.

É compatível com preservativos de látex.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Hanif Kureishi

Em suas obras, o desejo masculino é quase sempre uma força destrutiva e perigosa, inteiramente divorciada do amor ou do afeto. Em "Tenho Algo a Te Dizer", um personagem diz: "Amar uma pessoa, ou mesmo gostar dela, nunca melhorou em nada o prazer sexual". Kureishi concorda? Ele faz uma pausa. "Isso é uma provocação, mas uma provocação na qual existe muito de verdade. Pode ser que sexo seja agressão, e, se você não se importa com a outra pessoa, isso intensifica a experiência."

Quando Kureishi era jovem, uma das ideias que o moviam era a crença no grande extravasamento libidinal coletivo da revolução sexual. Achava que, se o sexo fosse libertado das convenções e restrições, todos nós seríamos mais felizes. Apesar disso, hoje ele acha que errou ao pregar o mantra do tantra. "Estou desiludido com o sexo. Se você olha para "O Buda do Subúrbio", um mundo não reprimido parece uma perspectiva muito agradável." Mas agora isso aconteceu -e "desumanizou as pessoas".

Kureishi diz que o sexo hoje "geralmente não passa de uma maneira de usar outras pessoas. Pode ser profundamente prazeroso transar com alguém e não se importar com quem é a pessoa ou o que ela é. Se você tivesse crescido nos anos 1950, como eu, transar dessa maneira teria parecido uma rebelião". "Parecia algo muito libertador. Mas, nos anos 1980 e 1990, a sexualidade virou algo muito instrumental. Você simplesmente usa outras pessoas para se masturbar. E não há relacionamento nenhum. E tudo isso simplesmente me parece narcísico, vazio, sem valor. Nos anos 1950 a gente reprimia o sexo; hoje reprimimos o amor."

(artigo de Johann Hari, Folha de São Paulo, caderno Mais, 15/2/2009)

Operário

Carta do leitor:

Sou hétero, mas me sinto esquisito, pois descobri que não gosto de penetrar. Acho cansativo. Prefiro ficar horas nos carinhos (gosto mais de receber, mas também de fazer). Além disso, meus mamilos e a pele externa do meu ânus são verdadeiros clitóris. Isso é anormal?

Resposta:

(...) Um amigo politicamente incorreto me dizia: "Esse negócio de meter é pra operário."

(...) Um diálogo de coxias me foi contado pela atriz, minha paciente.

Ele: Fulana, você gosta de pau mole?
Ela: Adoooro!
Ele: Então, eu vou te levar à loucura!

(coluna de Francisco Daudt na Revista da Folha, 15/2/2009)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Uma jovem fiel

Casada com um homem, tenho fantasias com mulheres.

Casada com uma mulher, fantasio com homens.

A situação se repete desde meus dezoito anos.

(depoimento anônimo)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Oprah

Semana passada, no programa da Oprah, estavam uma mulher e seu marido, preocupados porque ela não tinha orgasmos. Teve criação religiosa e sentia um halo de proibição, toda vez que começava a sentir algum prazer.

Uma especialista no assunto sugeriu um vibrador de base larga, que atingia uma ampla área e se aquecia, para uma sensação mais confortável. Segundo a especialista, era impossível não ter um orgasmo com tal aparelho.

Não tinha forma fálica. Parecia uma massageador para as costas.

O programa exibiu o depoimento da mulher, algumas semanas antes, depois ela e o marido, ao vivo, já tendo experimentado o vibrador.

A mulher parecia feliz e satisfeita, o marido também. Oprah fez algumas piadinhas e estava também muito à vontade. Disse aos telespectadores interessados que havia informações sobre o aparelho no site de seu programa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Bordel em Chiang Mai

Sob orientação da fundação Empower, que defende os direitos de trabalhadoras do sexo, prostitutas de um bordel em Chiang Mai (Tailândia) criaram no ano passado um cartaz com razões pelas quais rejeitam o resgate oferecido pela polícia e por ONGs.

Entre elas figuram: "Perdemos nossas economias e nossos pertences"; "somos presas"; "somos interrogadas por várias pessoas"; "somos forçadas a fazer cursos de capacitação"; "ninguém nos paga por isso"; "nossas famílias precisam emprestar dinheiro para sobreviver"; "nossas famílias ficam em pânico"; "estranhos visitam nossas vilas e falam sobre nós"; "temos de arrumar um jeito de voltar para a Tailândia".

- - -
Folha de São Paulo, 01/02/2009.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Raquel Pacheco

Eu tenho claustrofobia, não consigo ficar num lugar fechado sabendo que não poderei sair, no momento em que eu quiser. Me dá agonia, falta de ar e, muitas vezes a minha pressão caí de tanto nervosismo.

Eu nunca moraria no último andar de um prédio. Alguns exemplos básicos e que tenho que enfrentar, querendo ou não, é estar dentro de avião ou de elevador. Por um lado é bom, porque acho importante "enfrentarmos" o que nos dá medo.

Mas os meus medos não param por aí, tenho medo também de escuro. Já este medo, "herdei" da infância. Não fico num lugar fechado e escuro nem que me paguem! E olha que, para uma ex-prostituta não aceitar esta "oferta", é porque realmente o medo é grande! Sei que fiz coisas muito piores na prostituição, coisas que nem eu sei como tive coragem. Mas passar por uma situação como essa que citei agora há pouco... digo que: nem à pau!

Tive que encarar muitos sacos fedidos mas, sempre com muita claridade.

(Blog de Raquel Pacheco, www.brunasurfistinha.com, 19 de julho de 2006)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fernão Cabral

Uma última palavra sobre a vida amorosa de nosso personagem, esta sim alusiva a certa peculiaridade de Fernão. Refiro-me a seu hábito de dizer as palavras da consagração na boca das mulheres durante o ato sexual, Hoc est enim corpus meum, expressão por meio da qual a Igreja ritualizava a presença do corpo de Cristo na hóstia (aqui está o meu corpo).

Disse peculiaridade de Fernão porque, na verdade, este era um costume muito difundido entre as mulheres, sendo raro entre os homens, inscrito no universo mágico-erótico das "cartas de tocar", das beberagens afrodisíacas, das orações amatórias, das mezinhas e filtros que as mulheres soíam utilizar para arranjar ou amansar maridos. As palavras da Sacra possuíam exatamente, segundo se acreditava na época, este poder de "prender a criatura desejada", "fazê-la cumprir a vontade de quem as proferia" e, sobretudo, de evitar maus-tratos.

(A heresia dos índios: catolicismo e rebeldia no Brasil colonial, Ronaldo Vainfas, Cia das Letras, 1995)