quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Caminho íngreme


Existem casais que sobrevivem anos aos gritos e insultos, convivendo com a raiva. "Sai da minha vida", "Nunca mais quero te ver na minha frente", "Eu te odeio". Em outros casos, tudo pode ser dito, menos as palavras de ruptura. Porque uma vez pronunciadas, ou mesmo pensadas, elas se infiltram na ilusão que mantém aquele casal unido, em lenta corrosão, erodindo o solo até cair o barranco.

Em novembro haveria um feriado de seis dias, pois a Proclamação da República caía numa quinta-feira e o dia da Consciência Negra numa terça. Decidimos viajar juntas. Saímos de carro para Gonçalves, uma cidade pequena na fronteira com Minas Gerais, onde uma amiga de Agnes tinha uma casa. Depois do centro da cidade, subimos a montanha por uma estrada sem calçamento. Um caminho íngreme, com muitas curvas e pedras, entre árvores altas. A casa ficava num sítio rústico, sem jardim, apenas mato e alguns arbustos entre pedras. Tinha dois cômodos, colchão e almofadas no chão, e o banheiro do lado de fora.

Fazia algum tempo que Agnes não gozava comigo, sem um vibrador. No início ela se excitava facilmente. Eu a abraçava, beijava seu pescoço, e quando tocava suas partes já estavam úmidas. Durou alguns meses, depois que mudei para seu apartamento. Morando juntas, a excitação ficou mais lenta. Algumas vezes eu era romântica, fazia carícias por muito tempo em seus peitos, umbigo e coxas. Outras vezes a prendia por trás, prendendo seu corpo em posição que não pudesse reagir. Eu tinha alguns cremes, gel e acessórios, fechados numa caixa decorada, com cadeado, na gaveta da cômoda perto da cama. Passamos por fases diferentes. Em certos períodos, ela pedia mais carinho e menos força. Em outros, pedia autoridade, domínio, sem perguntas que precisasse aceitar ou negar, simulações de estupro. Na maioria das vezes, ela só tocava em mim quando já estava muito comida e gozada. Em transe, olhos dilatados e fundos, como se fosse outra pessoa, me comia e chupava. Muitas vezes eu a chupei tecnicamente, sem excitação, porque queria mantê-la satisfeita, ou mesmo entediada eu gostava de ver ela gozar. Ela não se preocupava com meu gozo, mas com meu interesse. Se ficávamos algumas semanas sem transar, fazia perguntas e cobrava. "Você perdeu o desejo por mim?", "Você cansou de mim?". Mas depois de alguns anos, aos poucos, ela parou de cobrar. Quando eu a acariciava, ela cortava logo alegando que não tinha vontade. Ou prosseguíamos, eu chupava, e no meio ela dizia que não estava funcionando, e pedia para eu usar o vibrador.

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